História do município Jeceaba
O nome primitivo da localidade foi
Camapuã. Termo indígena que significa "o monte
redondo". Sua origem remonta aos anos 1910, quando ali chegaram os
primeiros portugueses, espanhóis e italianos para a
construção do Ramal Paraopeba da Estrada de Ferro Central do
Brasil (EFCB), o modesto povoado contava apenas com 30 casas.
Lenta e trabalhosa foi a construção daquele
trecho da ferrovia. Enormes montanhas a serem rasgadas pelo braço do
homem; perfuração manual de gigantescas pedreiras; e a
retirada de entulhos, por tração animal.
Tudo feito por um processo extremamente
rudimentar. Os longos anos de trabalho acabaram fixando ao solo
"Camapuenses" trabalhadores de nacionalidade diversificada, que
ali formaram famílias e criaram raízes.
Após a inauguração do
ramal de Paraopeba, da Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligou o
povoado a Conselheiro Lafaiete e, posteriormente, a Belo Horizonte,
iniciou-se um período de maior desenvolvimento, chegando mesmo a
contar com as maiores casas comerciais do município de Entre Rios de
Minas, ao qual pertencia.
Entre os habitantes mais antigos da comuna
figuram muitos ferroviários, alguns de origem portuguesa, espanhola e
italiana, que permaneceram na localidade, após o término do
ramal ferroviário citado. Pode-se pois, atribuir-se aos trabalhadores
da construção da ferrovia o desenvolvimento do lugar. Acresce,
ainda a circunstância de ser a então Camapuã a
única estação de estrada de ferro em vasta
região agropecuária, possibilitando a presença de
estabelecimentos comerciais de vulto, principalmente atacadistas.
O Decreto-Lei Estadual nº 148 de
17/12/1938, elevou os povoados de Camapuã e Lagoinha (hoje Jeceaba e
Bituri) à categoria de Distritos pertencentes ao Município de
João Ribeiro (atual Entre Rios de Minas ).O Decreto Estadual nº
058 de 31/12/1943, determinou a mudança do nome do Distrito de
Camapuã, para Jeceaba. Yi-ecê-aba- nome também
indígena que significa a confluência de rios ou a
junção de rios: a reunião das águas.
Resolução nº 21 do Município de João
Ribeiro - MG de 31/08/1953, aprova a emancipação do Distrito
de Jeceaba, a fim de que o mesmo possa ser elavado à categoria de
Município na próxima revisão administrativa do Estado e
a anexação do Distrito de Bituri a este Município. E a
12/12/1953, sendo Governador do Estado o Sr. Jucelino Kubitschek de
Oliveira, a lei Estadual nº 1039 criou o Município de Jeceaba,
que se desmembrou de Entre Rios de Minas (ex. João Ribeiro). Esta
mesma lei atribui ao Município de Jeceaba o Distrito de Bituri (ex.
Lagoinha).
A lei Estadual nº 2764 de 30/12/1962
que fixa a Divisão Administrativa do Estado de Minas Gerais, cria o
distrito de Caetano Lopes, delineado pela lei Municipal nº 160 de
06/07/1964.
Entre as festas que se realizavam no
município, cita-se a de Nossa Senhora do Rosário, quando eram
organizados os grupos que formavam o congado, cujos integrantes se vestiam a
caráter, deles fazendo parte o "Rei", a "Rainha",
os "Príncipes" e os "Juízes". As danças
que se praticavam bem como os cânticos eram de origem africana, para
aqui trazidos pelos escravos.
Em 1956 foram calçadas a
paralelepípedo 5 ruas, numa área de 4769,82 m2.
Para suas comunicações, o
distrito-sede possuia 1 aparelho telefônico e 3 agências
postais. Contava-se também com uma pensão, uma biblioteca e 1
cinema.
Sendo de 1924 cidadãos seu
contigente eleitoral para o pleito de 3/10/1955, o município contou
com 1250 votantes; àquela época, elegeram-se os 9 vereadores
que compõem o legislativo da cidade.
Encontrava-se instalada no município
uma agência de Estatistica, órgão do sistema estatistico
brasileiro.
Meios de Transporte
Era o território municipal cortado por
109 Km de estradas de rodagem, dos quais 21 se achavam sob a
administração estadual e 88 sob a municipal. É servido
pela Estrada de Ferro Central do Brasil. De um total de 14 veículos a
motor existentes no município em 31/12/1955, 7 eram para passageiros
e 7 para carga. Entre aqueles haviam 2 automóveis, e destes, 6 eram
caminhões.
Tabela 1. Tábuas Itinerárias em 1955 (Fonte: Mapa Municipal nº 8 vol.)
Municípios Limitrófes
| DISTÂNCIA |
VIA DE TRANSPORTE |
| Bonfim |
99 km |
E.F.C.B. e Rodovias |
| Belo Vale |
25 km |
E.F.C.B. |
| Congonhas |
18 km |
E.F.C.B. |
| São Brás do Suaçuí |
12 km |
Rodovia |
| Entre Rios de Minas |
21 km |
Rodovia |
| Desterro de Entre Rios |
36 km |
Rodovia |
| Belo Horizonte |
110 km |
E.F.C.B. |
| Brasília |
504 km |
E.F.C.B. |
Nota: Em 1956 não existiam
linhas regulares de transporte rodoviário ligando a cidade de Jeceaba
a qualquer um dos municípios vizinhos.
Comércio e Bancos
Contava a população do
município com 3 estabelecimento comerciais atacadistas situados na
sede, e ainda, 16 varegistas. Destes, 8 se localizavam na cidade. O
serviço bancário era realizado por um agente e dois correspondentes.
Instrução Pública
Os resultados do senso de 1950, referentes
a alfabetização, fornece os seguintes dados relativos a
população hurbana do município.
| |
Números Absolutos |
Números Absolutos |
Números Absolutos |
| DISCRIMINAÇÃO |
Total |
Sabem ler e escrever |
Não sabem ler nem escrever |
| Homens |
324 |
189 |
135 |
| Mulheres |
325 |
181 |
144 |
| Total |
649 |
370 |
279 |
Ensino primário: a porcentagem de alunos
matriculados, relativa à população infantil em idade
escolar, era de aproximadamente 62,5%.
Dados coletados pelo Serviço de
Estatística da Educação do estado de Minas Gerais, no
período de 1954 - 1956, permitiu a elaboração do
presente quadro sobre o ensino primário
provinciano:
|
|
Dados numéricos
|
Dados numéricos
|
Dados numéricos
|
| ESPECIFICAÇÃO |
1954 |
1955 |
1956 |
| Unidades Escolares |
12 |
14 |
15 |
| Corpo Docente |
19 |
23 |
24 |
| Matrícula Efetiva |
746 |
944 |
882 |
Finanças Públicas
A situação das
finanças públicas no Município, nos anos de 1955 e1956,
vem caracterizada na tabela a seguir:
| |
Finanças (Cr$ 1000,00) |
Finanças (Cr$ 1000,00) |
Finanças (Cr$ 1000,00) |
| ANOS |
Receitas |
Despesas Realizadas |
Saldo ou Déficit
|
| 1955 |
834 |
788 |
46
|
| 1956 |
1090 |
911 |
179 |
Quanto a arrecadação, nas
duas esferas administrativas, o movimento no mesmo período
foi:
| |
Arrecadação (Cr$ 1000,00) |
Arrecadação (Cr$ 1000,00) |
| ANOS |
Estadual |
Municipal |
| 1955 |
1331 |
843 |
| 1956 |
1320 |
1090 |
População
Segundo os dados do recenseamento de 1950, era
de 2802 habitantes a população do município. O
Departamento Estadual de Estatística de Minas Gerais estimou em 26
habitantes por metro quadrado. Segundo os dados do recenseamento de 1950,
era a seguinte a situação do distrito de Jeceaba,
núcleo em torno do qual se emancipou posteriormente o atual
município:
| Especificação |
Homens |
Mulheres |
Total |
| Quadro Urbano |
336 |
364 |
730 |
| Quadro Suburbano |
18 |
18 |
36
|
| Quadro Rural |
1058 |
978 |
2036 |
| Total |
1442 |
1360 |
2802 |
Fonte: ( Mapa Municipal nº 8 vol.)
Desenvolvimento
O desenvolvimento de jeceaba sempre esteve diretamente relacionado
à construção de vias férreas. Em 1974 teve
início um projeto topográfico, com sondagens do solo, para
construção da Ferrovia do Aço.
A partir de agosto de 1975, numa constante
movimentação de empreiteiras e trabalhadores, foram iniciadas
as primeiras terraplanagens e a construção de viadutos e
túneis. A pequena cidade, praticamente sem estrutura, cedeu
espaço aos acampamentos de madeira e dividiu com os Municípios
vizinhos a nova massa populacional composta de trabalhadores. Entretanto, em
fins de 1981 as obras foram interrompidas, deixando inacabado um gigantesco
empreendimento Federal que tantos benefícios trariam a esta
região. E quando tudo parecia perdido, as obras reiniciaram a partir
de 1989. Foi então construído o Pátio Cel. João
Carlos Guedes, mais conhecido por P.1.7.
Apesar das grandes riquezas
movimentadas em solo Jeceabense, com as atividades de empresas de porte,
como RFFSA, CEMIG, MRS LOGISTICA, a economia do Município permanece
fundamentada na agricultura e pecuária. Predominava na região
cultivo de feijão, de milho, cana-de-acúcar que levou a
construção de vários alambiques para
produção de aguardente(cachaça), manteiga e doce, mas
hoje ,devido ao descaso dos governantes de nossa cidade, a agricultura e a
pecuária ainda está por engatinhar. Entretanto esperamos e
confiamos no nosso atual prefeito e vereadores, para que reativam o
produtor, principalmente o pequeno, diponibilizando técnicos e
materiais para a retomada dos cultivos.
Fonte: Livreto Comemorativo dos 50 anos de Criação do Município. Material criado por Maria das Graças Dias e distribuído pela Câmara Municipal de Jeceaba em Maio de 2004.
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