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 Natureza e Turismo

16/10/2008 - Primeira expedição até a Serra do Gambá


SERRA DO GAMBÁ – JECEABA
Expedição ao Patrimônio Natural
 
Apresentação
 
Elevação mais altiva da região, a Serra do Gambá destaca-se na paisagem graças aos seus 1274 metros de altitude e ao verde de suas matas. É localizada na porção sudeste do Município de Jeceaba, próximo às localidades dos Machados e do Sapé. Seu relevo é compartimentado por montes arredondados de flancos alongados, que se coadunam e formam uma alongada serra, compondo notável cenário emerso na paisagem regional. A serra é coberta por virtuosas matas e em suas vertentes correm ribeirões. Vistas do horizonte, suas curvas têm desenho suave, conformando-se como ondas no mar. Suas rochas são antigas, e datam do período geológico Arqueano, quando ocorreu uma concentração paleogeográfica de sedimentos marinhos enriquecidos em ferro. Rochas do Complexo Barbacena afloram nos flancos e próximas ao topo. Ocorrem também gnaisses, quartzitos e vulcânicas. Nos descampados ocorrem cupinzais vermelhos.
 
A Serra do Gambá preserva uma volumosa nascente que durante décadas serviu à vizinha Entre Rios. Atualmente abastece o povoado de Sapé, situado à meia encosta, em Jeceaba. A fauna conta com inúmeras espécies do cerrado. Os símios, serpentes, roedores, felinos e canídeos, alinhados às aves, já foram mais numerosos. Sua flora reserva requintes de beleza nas biotas do cerrado e mata atlântica em transição. Árvores robustas resistem em trechos remanescentes da mata, apesar das intervenções extrativistas históricas.
 
O desmatamento evoluiu desde o início do século passado, agravando-se nos últimos anos. O corte da floresta resultou no confinamento de espécies em pequenas ilhas de vegetação, ocasionando a migração e a mortandade no reino animal. Num suspiro de esperança, o governo do Estado garantiu recentemente o “tombamento” e conseqüente promessa de preservação da Serra do Gambá, numa área potencialmente favorável à instalação de um Parque Ecológico Municipal ou Estadual. O Plano Diretor de Jeceaba em elaboração pela Fundação Israel Pinheiro classifica a região como Macro Zona Ambiental da Serra do Gambá/Água Limpa, antevendo manejos ambientais futuros.
 
A Serra já foi palco de esportes radicais como vôo livre e montain bike. A primeira asa delta sobrevoou a região partindo de uma rampa natural no alto topográfico da Serra. Um documentário de caráter informativo foi realizado após recente visita à Serra do Gambá.
 
Veja as imagens que retratam esta 1ª expedição:
 
 
Foto 1: Vista regional da Serra do Gambá localizada no Município de Jeceaba.
 
 
Foto 2 : A expedição Serra do Gambá, partiu de Jeceaba e contou com o geólogo Agostinho Júnior, com o prefeito e biólogo Júlio Reis, a professora Lisiane Hostyn e ainda os radicalesportistas Hugo Resende e Luis Resende do Clube Vertentes de Vôo Livre.
 
Foto 3 : Horizonte regional contemplado na serra do Gambá. Foto Hugo Resende, CVVL.
 
MORRO TAQUARAL
 
 
Foto 4: Local: Estrada Jeceaba - Bituri: Cruzeiro na Montanha Taquaral. No horizonte, um emaranhado de serras qualifica Jeceaba para a prática de esportes radicais como o vôo livre.
 
SERRA DO GAMBÁ – REGIÃO OCIDENTAL DE JECEABA
 
Foto 5: Flanco leste da Serra do Gambá: Um enxame de termiteiros (cupins) destaca-se na paisagem. A cor vermelha se deve ao substrato rico em formações ferríferas, que sob ação do tempo, transformam-se superficialmente num solo residual típico de regiões de minério. A Serra do Gambá constitui uma das principais zonas de recarga dos aqüíferos da região.
 
Foto 6: Um espesso tronco de madeira encontra-se caído sobre o descampado leste da serra. Trata-se de uma árvore antiga com cerca de 15 metros. Provavelmente quedou-se naturalmente em seu ciclo final de vida, adoeceu ou foi alvejada por um descarga elétrica durante uma tempestade. Este exemplar exemplifica bem a riqueza arbórea da Serra do Gambá. Observar como o horizonte já se encontra remoto, permitindo enxergar uma ampla distância, mesmo no talude da Serra, ainda longe do topo.
 
Foto 7: Ao fundo a mata fechada, densa e remanescente nos remete ao passado. Há cerca de 100 anos, estas montanhas eram totalmente cobertas por densas florestas. Hoje é provável que 50% das matas estejam preservados, na condição de florestas secundárias. No 1º plano o descampado onde crescem gramíneas. Toda a área que hoje é gramada foi desmatada no passado para extrativismo vegetal e atividades agropastoris.
 
Foto 8 : O grupo foi recebido por um dos proprietários de terrenos na Serra do Gambá. O senhor Brejaúba não poupou elogios à atual conservação das estradas na zona rural de Jeceaba. A maior parte do trecho que dá acesso ao local encontrava-se motonivelada recentemente pela prefeitura, sob gestão do biólogo Júlio Reis.
 
Foto 9: Apenas no trecho mais íngreme, o veículo encontrou dificuldades para avançar sobre o terreno ferruginoso, repleto de placas de itabirito e pedras de hematita soltas no leito da estrada. Afora os 5 integrantes, o veículo 4x4 transportava uma asa delta no bagageiro.
Foto 10: O Jeep avançou até a cota de 1150m, nos deixando próximos à cota de 1250m. Seguimos por mais 200m em caminhada linear até o cume da montanha. A administração Municipal de Jeceaba comprometeu-se em realizar a pavimentação deste trecho final, de forma a permitir o acesso seguro e adequado.  Eventualmente caravanas com estudantes, motociclistas e ciclistas de Entre Rios e de Jeceaba visitam a Serra do Gambá. A caminhada no trecho final rumo ao topo compensa qualquer esforço ou dificuldade. A vastidão do horizonte quantifica a grandeza da serra onde a natureza reina quase em paz.
 
FLANCO LESTE DA SERRA DO GAMBÁ
 
 
Foto 11: Exuberante árvore remanescente da floresta. Sua generosa copa acolhe aos excursionistas. Ao fundo afloram coberturas óxido-ferruginosas denominadas Canga. Resultam de processos de lixiviação mineral precedidas por reações químicas. (*)
 
Foto 12: Detalhe da Canga – produto da oxidação do minério de ferro. As formações ferríferas são denominadas BIF’s Banded Iron Formation. São compostas por óxidos de ferro e silício, carbonatos, sulfetos e sais. Tem como principal mineral a hematita, que como o nome indica, resulta em solos vermelhos na cor sangue envelhecido. Outro mineral importante é a magnetita. (*)
 
Foto 13: Vista lateral de um dos flancos da Serra do Gambá com a presença de matas secundárias que esboçam recuperação. Este é um dos trechos que mais sofreram degradação ambiental nos últimos anos e ficou abandonado pelos últimos gestores públicos de Jeceaba.
 
Foto 14: Modesto cruzeiro ratifica a condição de paz espiritual do lugar. Prefeito Júlio Reis prevê enormes melhorias para a Serra do Gambá nos próximos anos. Os investimentos seriam oriundos do consórcio multinacional que se instala em Jeceaba. A produção siderúrgica começa em 2010.
 
Foto 15: Fantástica perspectiva do horizonte em direção à cidade de Jeceaba. O Município estende-se pelos vales, rios e montanhas. Entre os povoados que margeiam a Serra do Gambá, Machados é o mais populoso e tem cerca de 1000 habitantes.
 
Foto 16: Placas de hematita compacta descolam-se nos flancos da Serra do Gambá. Trata-se de um precioso bem mineral, cuja exploração representaria uma ameaça à natureza local com impactos regionais. Vale retificar que a atividade mineira rebaixa o lençol freático de toda uma região, resultando em ribeirões secos e mortantade animal, sem contar é claro, danos à lavoura, desmatamentos e a descaracterização do relevo regional. (*)
 
Foto 17: Flagrante de área desmatada recentemente. A mata primária pré-existente deu lugar à vegetação de cerrado, de amplitude dispersa e desprovida de espécimes grandes. Os troncos e galhos na foto são tortuosos. A vegetação foi cortada ao lado do cruzeiro construído no alto da serra.
 
Foto 18: Encosta desmatada da Serra do Gambá. Algumas árvores sobrevivem e tentam recuperar-se como floresta. O corte das árvores iniciou-se pelas meias-encostas que ancoram a serra em sua amplitude lateral. Após o desmatamento de boa parte das vertentes, a serra sofreu cortes eventuais e progressivos nas áreas próximas aos topos.
 
MATA FECHADA
 
Foto 19: O sítio ecológico arbóreo ainda guarda exuberantes florestas com vegetação predominante do cerrado, matas de galeria e espécies remanescentes atlânticas. O Município de Jeceaba encontra-se na área de domínio da floresta latifoliada tropical, atualmente restrita a fundos de vales e topos de morros.
 
Foto 20: O local é propício para caminhadas e outros esportes aeróbicos de montanha. As serras de Jeceaba são donas de um dos melhores climas do mundo. Foram classificadas por koppen como do tipo Tropical de Altitude. A temperatura anual oscila entre 12 a 18º nos meses de inverno e de 22 a 28º no verão, com excelentes médias pluviométricas anuais.
 
REGIÃO VIZINHA À SERRA DO GAMBÁ
 
Foto 21: Corte de eucalipto nas proximidades da Serra do Gambá, em direção a Bituri, Município de Jeceaba. O eucalipto é nativo da austrália e é bastante utilizado no país, trazendo renda para os produtores rurais. Seu plantio é danoso ao meio ambiente porque rebaixa o lençol freático, ou seja, diminui a quantidade de água no subsolo que acaba resultando em seca de nascentes.
 
Foto 22: Parada de confraternização em Bituri. “Vamos abraçar a causa ecológica.” O objetivo é desenvolver a consciência ambiental entre urbanos e ruralistas.
 
RUÍNAS DE FERNÃO DIAS PAES
 
Foto 23: Janela de construção histórica em Entre Rios de Minas, cujos blocos de pedra emolduram a Serra do Gambá em Jeceaba. A construção foi fundada pelo grupo de Fernão Dias Paes Leme, bandeirante que explorou riquezas e escravos na região. As imponentes construções de pedra atingem até 7 metros. São compostas por fazenda e senzala.
 
O geólogo A. Júnior acredita que as pedras empilhadas nas construções foram trazidas da Serra do Gambá ou Água Limpa. O grupo coletou amostras de rochas que afloram na Serra do Gambá – Jeceaba, para correlacionar com blocos que sustentam as ruínas. A análise é meramente informal, e objetiva contribuir com o enriquecimento histórico da região.
 
As ruínas de Fernão Dias Paes encontram-se às margens da Estrada Real, em Entre Rios de Minas, a cerca de 100m do Córrego do Gambá, que limita os municípios localmente.
 
Foto 24: Desta feita nos despedimos da Serra. Voltaremos em breve.
 
Opinião 1
 
Espera-se que, nos próximos anos, o grupo internacional que se instala na região, destine parte de seus recursos à conservação e manejo da Serra do Gambá. Seria uma alternativa de compensação ambiental devida frente aos danos ambientais inevitáveis que precedem ao advento siderúrgico em Jeceaba. Ações no âmbito da conservação e fiscalização devem ser efetivas para se evitar novos desmatamentos na área, antes que o gambá fuja, ou que o tatu descubra que está escavando minério de ferro de boa qualidade, numa terra vermelha que para alguns homens vale mais do que serras azuis.
 
Que os retratos do desmatamento sirvam de alerta tanto para a prefeitura de Jeceaba, quanto para qualquer entidade ambiental estadual ou federal, ONG’s, ou qualquer cidadão que queira exercer o direito ao meio ambiente preservado, para si e para seus filhos. Esta preciosidade chamada Serra do Gambá ou Serra da Água Limpa, constitui importante patrimônio ambiental para a região. E por constituir parte definitiva do território do Município de Jeceaba, requer cuidados especiais por parte da gestão local e da iniciativa privada.
 
A criação de um parque ecológico amparado por lei, fomentado pela indústria e gerida pelo governo municipal, garantiriam não só a conservação e manejo da Serra, mas contribuiria também para a educação ambiental na região de Jeceaba e Entre Rios. Estudantes de graduação em biologia, botânica, geologia, zoologia, engenharia ambiental e florestal, turismo, hidrologia e astrologia, poderiam desenvolver seus estudos na região e levar um pouco do seu conhecimento a outros jovens estudantes. Um parque com visitação pública gratuita de apego ambiental, esportivo e cultural é o que queremos para a Serra do Gambá.
 
Vamos preservar este valioso cenário natural, detentor de um admirável relevo e notável diversidade. Suas matas e paredões rochosos, sua rica fauna, suas sortidas águas e seu vasto horizonte.
 
 
Opinião 2
 
Jeceaba vive seu melhor momento: Caminha para tornar-se símbolo de um novo Vale do Aço.
 
Afora este desenvolvimento econômico que se aproxima, recentemente uma jovem de apenas 20 anos, nascida na cidade, foi eleita a mulher mais bonita de Minas Gerais. Justiça seja feita, Rayane Morais já havia sido eleita Miss Brasil Universitária no ano anterior. E em Jeceaba ainda brincam: “A irmã dela, de 14 anos é mais bonita ainda”! Rayane agora vai desfilar todo o seu glamour nas passarelas do concurso de Miss Brasil. Boa sorte garota!
 
Afora tudo isto, Jeceaba conta ainda com um cenário natural exuberante, onde o antagonismo de suas montanhas e o fervor de suas águas constituem um incomparável tesouro, valorizado frente ao advento do turismo ecológico, real e insólito nesta estrada real. Os curiosos e amantes da Natureza chegam aos poucos, com suas bicicletas, mochilas, jipes e motos, assimilando a cada estação a generosidade da nossa natureza e sua extensão.
 
Este gracioso cenário pode ser tipificado na elevada Serra do Gambá, que ostenta significativo potencial turístico para a região. A Serra de Santa Cruz e dos Mascates em direção a Bituri também são belíssimas e representam o cartão postal de Jeceaba.
 
* Os minérios de ferro encontram-se hospedados em formações ferríferas bandadas (Banded Iron Formations - BIF), localmente chamadas de itabiritos. O termo BIF é uma nomenclatura internacionalmente usada para designar sedimentos e metassedimentos químicos finamente bandados constituídos por alternância de chert ou quartzo e óxidos de ferro (James, 1954). A principal época de formação de grandes depósitos de BIF se deu no Paleoproterozóico (Gross, 1965, James, 1983). No Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, os minérios associados à Formação Cauê (Supergrupo Minas) são divididos em duas categorias principais: minério itabirítico e minério hematítico de alto grau (Dorr, 1965, Rosière, 1983). A hematita compacta é um tipo especial de minério de ferro de alto grau que contém características químicas e físicas especiais, alto teor em ferro, baixo teor de sílica e textura maciça que permitem que esse minério seja usado como granulado (lump ore) nos processos de obtenção do ferro via redução direta (DRI). A
hematita compacta pode-se apresentar maciça, bandada ou laminada (Varajão et al., 2002).
A gênese desses minérios ainda é ainda motivo de controvérsia. São três as principais hipóteses para a sua origem: singenética (Harder, 1914; Harder & Chamberlin, 1915; Sanders, 1933;
Varajão et al., 1997; Varajão et al., 2002), supergênica (Gathmann, 1913; Park, 1959) e sin-metamórfica/metassomática (Dorr et al., 1952, Dorr & Barbosa, 1963, Dorr, 1965).
 
Agostinho Junior
Geólogo


 Notícias anteriores deste Caderno

11/09/2006 - O Potencial Turístico de Jeceaba - Da Arquitetura Perdida à Natureza Exuberante


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ter orgulho de ser filha dessa terra, é poder dar e receber um abraço gostoso de cada conterrâneo, é amar e ser amada por todos dessa terra maravilhosa, sou Jeceabense com muito orgulho.

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